Terra Boa

16º DTC: COMPAIXÃO é compartilhar a mesma humanidade...(cf. Pe. A. Palaoro SJ)

21.07.18 | 04:31. Archivado en Liturgia

Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão...” (Mc 6,34)

No evangelho deste domingo Jesus olha a realidade do povo sofrido e descobre também o coração de um Pai que sofre o abandono e a dor de seus filhos e filhas.

Jesus olha e vê... Olha atentamente, uma e outra vez, pousa seu olhar sobre a crosta ressecada e sem beleza dos mal curados. É a miséria da multidão dispersa frente a ausência de verdadeiros pastores; vê até as mordidas mal cicatrizadas dos lobos...

Desse primeiro olhar nascem a compaixão, a misericórdia.

Como outras vezes, Jesus muda o seu plano para acolher a dor das pessoas que surgem de repente em seu caminho; contempla-as, e em sua maneira de se fazer próximo em gestos, palavras e olhares.

Deus é realmente compassivo. E esta compaixão move Jesus em direção das vítimas inocentes, maltratadas pela vida e pelas injustiças dos poderosos. É a compaixão de Deus que faz Jesus tão sensível ao sofrimento e à humilhação das pessoas. Sua paixão pelo Pai se traduz em compaixão pelo ser humano.

Jesus introduz um princípio novo de atuação: a `com-paixão´. Compaixão, ativa e solidária, aquela conduz para esse mundo mais digno e ditoso querido pelo Pai.

“Com-paixão”, palavra de etimologia latina, significa “padecer-com”, “sentir-com”, vibrar-com”, “afetar-se-com”... Seu equivalente, grego, seria “sim-patia”, ao qual se opõe o de “a-patia”, ausência de sentimentos, de vibração, de capacidade de proximidade...

Muitos se referem à compaixão como uma paixão, outros como uma emoção forte, outros ainda, como um sentimento... Ela tem a ver com nossa comum humanidade.

A compaixão nos situa numa irmandade entre seres radicalmente iguais em sua humanidade. É um dinamismo natural que expressa a bondade original do ser humano, a origem dos sentimentos altruístas, a sensibilidade solidária...

A compaixão impulsiona para a ação, e prevalece a igualdade, a dignidade básica e comum do ser humano. e chegar a se colocar no lugar do outro e atuar pore para ele; sentir com o outro. A compaixão des-vela o sentimento profundo de amor para com aqueles que sofrem, buscando aliviar sua situação, através de uma ação bondosa e serviçal. O outro deixa de ser um estranho e se converte em próximo.

Não somos seres separados que, eventualmente, se ajudam uns aos outros, mas constituímos uma Unidade, pela qual ninguém nos é indiferente. O bem dos outros é nosso bem, e sua dor, nossa dor.

O obstáculo maior para viver a compaixão é o egoísmo, o individualismo, a indiferença, a intolerância... O egoísta se rege pela lei do mínimo esforço, o apego ao “agradável” e a aversão para o “desagradável”. Evita tudo o que lhe implica mudança em suas rotinas ou expectativas; acima de tudo, busca o “sentir-se bem”. O ego se refugia na indiferença, na “cegueira” diante da realidade, pois, como diz o refrão popular: olhos que não veem, coração que não sente.

A compaixão esvazia toda pretensão de poder, pois torna a pessoa sensível ao clamor e às necessidades do outro. A compaixão rompe a couraça do “eu”. Nossa época é “sem-compaixão”, tempo de solidão, onde é difícil vibrar com os outros, alegrar-se com quem se alegra, com-viver, oferecendo-se mutuamente o ombro e dando-se as mãos.

Só a compaixão desloca cada um para o lugar do outro, ilumina a realidade do sofrimento do outro, e nos move em direção a ele.

Compartilhamos todos a mesma humanidade.


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