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Europa Solidária

13.10.09 | 12:09. Archivado en Carlos Azevedo
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De Gdansk (Polónia), onde estou, integrado numa significativa delegação portuguesa, envio este artigo. Trata-se do primeiro encontro intitulado ‘Dias sociais católicos para a Europa’, que reúne 30 países. A iniciativa da COMECE (Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia) escolheu este lugar simbólico, pela referência ao início da Segunda Guerra Mundial em 1939 e ao fim do Comunismo na Europa Central e de Leste em 1989. Em Gdansk iniciou o movimento social Solidarnosc, após a visita papal à sua terra, em 1979.

O tema do encontro – ‘A solidariedade, desafio para a Europa’ – parte da situação da crise mundial, consciente do papel da Europa na promoção de uma solidariedade sem exclusões. Afirma-se no manifesto inicial que a solidariedade “inclui a todos os seres humanos, sejam os que ainda não nasceram, sejam os que estão no termo da sua vida. Engloba os nossos contemporâneos como as gerações futuras. Inclui os residentes e os migrantes. Inclui todos os países, sejam grandes ou pequenos.”

No momento em que muda o Parlamento, muda a Comissão, o Tratado de Lisboa se avizinha de uma ratificação final e se vive uma crise com consequências sociais duradouras, construir uma Comunidade europeia fundada na solidariedade é enorme desafio cultural e espiritual. O Tratado de Lisboa ressente-se ainda de uma visão liberal da economia, anterior à crise. Mostra a sedução dos políticos por um mau modelo de desenvolvimento humano.

As Igrejas devem contribuir para o avanço de um novo imaginário para a União Europeia, através de um movimento de pedagogia e de mediação social. Mais verdadeiro e menos confuso ideologicamente. A solidariedade a encorajar, a reinventar, tem de partir da verdade do desemprego que crescerá fortemente nos próximos tempos, de uma solução programada para o gravíssimo défice público, de uma urgente modernização da protecção social desenhada com eficácia, de uma coragem para inverter as políticas de endurecimento na integração dos migrantes, da liberdade para discernir o proteccionismo abalado pela crise, do investimento nos serviços sociais e educativos.

A tão falada economia social não é possível sem uma nova visão cultural e espiritual. À maneira do Simpósio realizado em Maio em Lisboa, espera-se deste encontro um olhar positivo para as capacidades e energias já no terreno, indicadoras de um rumo que dê coesão à Europa e a desperte para uma solidariedade familiar, intergeracional, participada por todos.

D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa

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