Religión Digital

Aranhas e ateístas

05.10.09 | 09:52. Archivado en Carlos Azevedo
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A convite da Conferência Episcopal Portuguesa e do Presidente da República, Bento XVI desloca-se ao nosso país, entre 11 e 13 de Maio de 2010. Pouco interessa para a vinda do Papa os detalhes do processo do anúncio, embora haja entre nós especial cuidado em explorar tudo o que seja processual, talvez por desinteresse ou incapacidade para entrar nos conteúdos fundamentais.

Na viagem à República Checa, alguns media entretiveram-se na aranha que passeava tranquila no paramento do Papa, mas pouco relevo mereceu a mensagem transmitida. Este gosto pela marginalia tem seduzido muitos e arrastado a atenção de uma óptica centrada no essencial para se deter no exótico, de tendência insaciável. Aliás, certa campanha eleitoral caiu nessa armadilha.

Já a Associação Ateísta anda indignada com o facto de Bento XVI visitar Fátima, e logo em 2010, a cem anos da “sacrossanta república”, que não devia ter desvios de atenção! Segundo este grupito a visita papal não devia alegrar os portugueses, sobretudo quando são membros de órgãos da soberania! Não percebem a figura intolerante, ridícula e marginal que assumem! A religião pesa na cultura portuguesa e na vida dos cidadãos. Respeitar essa maioria, ainda que não entendendo o sentido da vida de modo religioso, é prova de maturidade democrática.

Bento XVI, na República Checa, que há 20 anos se libertou de “opressão ateia”, apelou a trabalhar e a viver em liberdade, como caminho fecundo para a construção da Europa. A repressão da religião e a opressão do espírito humano na República Checa só terminou há 20 anos. Em Portugal, momento repressivo teve início há 100 anos e o fenómeno Fátima foi determinante para a reviravolta de “uma ideologia totalitária falida”.

Bem advertiu o Papa aos académicos: “Uma compreensão da razão surda ao divino, que relega as religiões no reino das subculturas, é incapaz de entrar naquele diálogo das culturas de que o nosso mundo tem urgente necessidade.” Defendeu que a Igreja deve estar presente no debate público e não temer o diálogo entre agnósticos e crentes, porque “ambos se necessitam”.

Só quando a liberdade se une à verdade serve realmente a sociedade. Estejam os ateístas certos de que a Portugal, como na recente visita, o Papa virá propor que: “o Evangelho não é uma ideologia, não pretende bloquear dentro de esquemas rígidos as realidades sócio-políticas que nos envolvem. Antes, transcende as vicissitudes deste Mundo e lança nova luz sobre a dignidade da pessoa humana em cada época.”

Não fiquemos nas aranhas, escutemos o mensageiro de Deus.

D. Carlos Azevedo, Bispo auxiliar de Lisboa

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