Religión Digital

Futebol laico?

08.08.09 | 12:48. Archivado en Carlos Azevedo
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Que um jogador exprima a sua fé num gesto de acção de graças a Deus, isso não ofende ninguém. O presidente da FIFA, Joseph Blatter, e a Associação Dinamarquesa de Futebol, presidida por Jim Stjerne Hansen, não gostaram dos festejos dos jogadores quando marcam golos, patente na final da Taça das Confederações de 2009, na África do Sul. Consideraram demasiada confusão entre religião e futebol. O último referido declarou, em carta à FIFA, que tais manifestações religiosas eram "inaceitáveis e perigosas". Os jogadores brasileiros, mais exuberantes nos gestos, foram advertidos e Blatter prometeu vetar quaisquer manifestações religiosas no próximo Mundial de 2010.

Colocar limites à festa de um golo só parece razoável por razões éticas, se der lugar a gestos ofensivos. O entusiasmo da façanha leva os repórteres da rádio a marcar ritmos loucos ao Goooo…lo. A intensidade da alegria faz levantar os telespectadores. Os jogadores multiplicam abraços efusivos que solidificam a coesão da equipa. Ora que alguns jogadores exprimam a sua fé num gesto de acção de graças a quem consideram o centro das suas vidas, não ofende ninguém.

O laicismo galopante começa a ter exageros de intromissão nos gestos religiosos dos cidadãos, a revelar o que tem na mente. Será que consideram a religião um vício perigoso? Será que defendem a exclusão da vida pública quanto antes do factor religioso porque é prejudicial para os espectadores? Imaginem que uma criança inocente da mácula da crença vê essa obscenidade religiosa e fica perturbada!? O radicalismo laico comporta-se como o não adepto de futebol ao presenciar o entusiasmo dos adeptos. Como estão fora, não percebem o sentimento religioso.

Não são as demonstrações religiosas que degradam o mundo do futebol. Antes, pelo contrário, imprimem alguma ética que tão necessária se vislumbra. É lastimável que um jogador cometa uma falta, que todos viram na televisão, e venha manifestar que coitadinho não fez nada. Essa falta de carácter, sim, é que é perigosa para a vida pública e para a educação da juventude.

O que seria de evitar era os ordenados descomunais dos jogadores que levarão o futebol à decadência. O que seria de evitar era a ampliação de estádios portugueses já tão carentes de público. Os responsáveis pelas regras do futebol apliquem o sentido da medida a campos éticos mais causadores do declínio que se avizinha e deixem liberdade para as expressões que não quebram o espectáculo, mas mostram a verdade de pessoas e lembram o sentido etimológico da palavra entusiasmo, que inclui o divino no seu centro.

D.Carlos Azevedo, Bispo auxiliar de Lisboa

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