Religión Digital

Ser padre em S. Jorge

03.08.09 | 17:30. Archivado en Carlos Azevedo
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A viagem à ilha de S. Jorge, para celebrar a ordenação presbiteral de Hélio Nuno Soares, ocorrida a 25 de Julho, na Urzelina, ocasionou variadas experiências que nesta reflexão permitem abordar o ano sacerdotal, lançado por Bento XVI em Junho passado. Presidir, pela primeira vez, ao rito de ordenação é, por si só, momento de profunda e íntima vivência espiritual.

Com consciência de servir para que o mistério aconteça e se celebre, em densidade, o que ocorreu no chamamento e resposta, na eleição e consagração, o que há ali de implicação pessoal e de iniciativa de Deus, de alegria da comunidade cristã e de esperança para o futuro. Há mais de quarenta anos que tal não era presenciado, na ilha de S. Jorge. Acolher o dom de um novo padre faz vibrar o povo sacerdotal, necessitado de sinais do amor misericordioso de Deus, de quem o convoque para o centro da alma.

A ilha de S. Jorge, nas suas cascatas verdes recortadas pelo azul das hortênsias, que criam cenário às amenas fajãs, tem 13 paróquias, com seis padres. Três padres servem oito paróquias, moderados pelo Ouvidor (que equivale ao Arcipreste ou ao Vigário da vara), que é também Provedor da Misericórdia. As restantes cinco estão entregues duas a cada padre, com excepção de Velas com padre próprio. A freguesia de Santo António, com esta ordenação, oferece três padres originários no activo.

O modo pessoalíssimo como cada um desempenha a sua missão, colocando as marcas da sua história e experiência, das suas qualidades (carismas) e a sua particular sensibilidade e formação, não esconde a perspectiva comum, que identifica e une, em comunhão missionária, todos os animadores da fé, da esperança e da caridade destas populações tão carinhosas e responsáveis. Hoje ser padre acontece de modos tão diversos e com estilos tão originais que mostra a ausência de qualquer forma, mas pode perder-se o essencial da forma cristã de consagrados que os distingue de agentes sociais ou de funcionários do sagrado.

A religiosidade açoriana com entranhado sentido de Deus, a forte ligação à terra e à natureza, as festas do Espírito Santo, as romarias, as filarmónicas que promovem a cultura musical de muitos jovens, o afastamento religioso de uma parte das novas gerações, a necessidade de formação cristã sólida impelem para um modo de ser padre que rompa profeticamente com uma cadeia de resistências e faça evoluir pedagogicamente a religiosidade para a radicalidade evangélica.

D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa

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