
Se deshacía en lágrimas. Pedió permiso para entrar, apesar de la puerta estar abierta. La saludé con dos besos y la invité a sentarse. No era capaz de hablar: continuaba llorando. Conozco ya su situación. Esperé hasta ella ser capaz de hablar. El silencio ha permitido que ella se calmase. Ha sido capaz de comenzar a decir todo lo que ha pasado.
"Estoy aquí sin dormir. Mi marido, esta noche, llegó borracho a casa. Es siempre lo mismo: siempre que bebe demasiado, soy yo que pago. Llename de malos tratos. Tuve que huir. Llamé la ambulancia, porque estaba muy maltratada. Pero renuncié a llamarla porque yo no quería presentar queja. Y no lo quiero. Si lo acuso, no tendré más alguno apoyo. Estoy embarazada de 24 semanas. El dinero que recibo en mi trabajo es muy poco. Aún tenemos su subvención de desempleo. Pero no soy dueña de dinero alguno. Y siempre que quiero algunos euros para comprar sea lo que sea, tengo que pagarlo con mi cuerpo. En ese momento él me compra para tener relaciones sexuales. Como voy aguantar esta vida? Dentro de poco tiempo nacerá mi hijo e yo no tengo nada que vestirle. Quien me ayudará?"
Las lágrimas continuaban bañandole su rostro. A la puerta tenía más personas que esperaban que yo las atendiera. Pero lo más importante, en aquel momento, era atender a esta mujer dolorida y afligida. Quien la ayudará?
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Em discurso directo:
"Depois de me ter sido diagnosticado um cancro no ovário, de ter feito quimioterapia durante algum tempo, estive hospitalizada muitos meses.Fui operada várias vezes (retiraram-me primeiro um ovário, depois tive que retirar o outro, passado uns tempos foi o útero e alguns meses mais tarde o rim esquerdo). No pós-operatório da operação ao útero tive um AVC que me deixou todo o lado esquerdo paralisado, uma lesão no cérebro que de quando em vez me provoca fortes dores de cabeça e a usar fraldas. Sempre fui uma pessoa muito alegre, sem conseguir estar parada. Andava sempre de um lado para o outro, tinha sempre algo para fazer. Sou jovem e a minha vida era uma correria constante.Quando me vi numa cama, sem me poder mexer, entrei em total desespero. Muitas vivências negativas do meu passado começaram a vir-me à memória e mais desesperada e angustiada eu ficava. Para mim viver já não fazia qualquer sentido!! Sentia-me lixo, inútil, sem qualquer vontade de estar ou falar com as pessoas. Não queria ajuda para nada, recusava tudo, não queria ver ninguém. Isolei-me de tudo e de todos.O meu único pensamento era a morte; só queria morrer!! Tentei o suicídio, mas Deus pegou em mim ao colo e aqui estou eu…No meio de todo o meu desespero, um dia, peguei no portátil e abri este blog do nosso querido e grande AMIGO o Sr. Padre "Migalhas" e comecei a ler todos os textos…. Cada um deles parecia-me ser escrito para mim. Comecei a comentar os post's e escrevi-lhe para o email pessoal. Nunca pensei ter resposta, mas ela veio… e a força que este"meu" querido AMIGO me deu, juntamente com as suas orações, fizeram com que os meus olhos se abrissem e começassem a ver a vida de uma forma diferente. Comecei a lutar… a vontade de viver novamente, começou a renascer dentro de mim!!! Já em casa, em recuperação, a fazer fisioterapia e outros tratamentos, um dia abri o blog (pois nunca mais o deixei de ler) e o texto lá escrito deixou-me a pensar… o nosso AMIGO escrevia as suas experiências no INEM. Tinha sido convidado para formar parte da equipa e cada palavra que escreveu deixou-me alguns dias a reflectir na minha vida…Dentro de mim começou a nascer uma vontade louca de também fazer alguma coisa por esta nossa sociedade que cada dia está mais virada para o TER do que para o SER, o DAR-SE…Descobri que ter maior alegria e a minha vida ser completa não basta TER. A alegria nasce do facto de eu poder AMAR alguém que anseia pelo meu amor… Um amor desinteressado! O mar da nossa vida torna-se oceano quando partilhamos a nossa existência com quem necessita verdadeiramente dela. Lembrei-me de Jesus Cristo que se apresentou como quem veio " não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por todos" (Mt.20, 28). A Sua morte foi a suprema manifestação do amor que n'Ele se fez serviço gratuito à "multidão" dos Homens. Comecei a trabalhar afincadamente na minha recuperação total. Eu tinha como meta deixar a cadeira de rodas, as muletas, as fraldas…. Eu queria e ansiava ser voluntária!!!!
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15.09.08 @ 00:44:26. Archivado en solidaridad, dolor
Nos conocemos hace mucho tiempo. Pero hace poco más de un año que no hablamos.
Ha tenido un gran problema de salud. Después de una intervención quirúrgica tuve de hacer quimioterapia y radioterapia. Felizmente parece que lo peor ha sido ultrapasado.
Hace unos días nos hemos encontrado.
"Mira como va tu vida? Y tu salud?"
"Al nivel de la salud física todo va corriendo normalmente. Claro que mis capacidades físicas jamás fueran las mismas. No estoy totalmente disminuido, pero... He tenido un matrimonio de veinte y pocos años. Pasado algún tiempo después de la intervención, han comenzado los problemas en mi casa. Yo sé que no podría corresponder totalmente a las expectativas de mi mujer en relación a mí: la enfermedad y los tratamientos han dejado marcas. Ella terminó por pedir la separación y yo no ofrecí resistencia. Nos divorciamos. Me encontré sólo. Vacío. Fue el segundo gran terremoto de mi vida después de la enfermedad."
"Y ahora? Al nivel de la serenidad, de la auto-estima, como van las cosas?"
"Mire, hace un año encontré alguien que está aceptandome como soy yo y como yo me encuentro. Tenemos una muy buena relación."
Yo iba escuchando. Pero veía que había algo en él que yo no estaba siendo capaz de alcanzar.
"A pesar de que me siento más o menos bien, hay algo que me está haciendo sufrir. Me hace falta la fuerza de la Comunión. Y yo la necesito tanto! Las leyes de la Iglesia dicen que no puedo recibir la Comunión por estar casado civilmente. Porque no puedo yo comulgar?"
Charlamos durante algún tiempo. No voy a decir aquí cual la "solución" que hemos encontrado para su problema. Pero creo que él salió mucho más a gusto.
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De vez em quando reservo uma manhã para ir ao Hospital de Dia. Duas salas: uma mais dedicada a Hematologia e Ginecologia; outra, para Gastroenterologia, Pneumologia... Claro que estou a falar de salas onde se administra quimioterapia. Cada sala tem capacidade para umas 30 camas. Duas enfermeiras em cada sala para cuidarem de todos estes doentes.
O doentes que vão pela primeira vez, necessitam de cuidados especiais: o seu nervosismo e ansiedade exigiam uma maior atenção por parte dos profissionais. Mas haverá tempo para isso, no meio de tantos(as) a tratar?
É sempre 'bom' ir lá. Quase todos os doentes estão acompanhados por algum familiar. É possível conversa 'amena'. Há possibilidade de grande abertura. Parece que o carinho e o afecto envolvem todo aquele ambiente. E não é neste pequeno 'post' que serei capaz de descrever tudo o que lá se passa. Muitas das pessoas já as encontrei em internamentos anteriores, no Hospital.
Cada doente é único, diferente. Gente de perto do Hospital e de longe. Uns estão em casa de familiares que vivem perto; outros vieram de ambulância, de táxi, ou em carro próprio conduzido por um familiar.
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13.07.08 @ 11:28:18. Archivado en solidaridad
Uma mesa na esplanada dum café. Uma bica, um cigarro e meio digestivo. À sombra, saboreava o vai-e-vem das pessoas num início de tarde de sábado. Apesar de estar sozinho, não me sentia só. Depois de, no dia anterior, ter vivido emoções fortes, sentia-me quase em paz. Quase. Ia revendo o filme desse dia.
Chega um colega que já não vejo há algum tempo. Faz-me companhia somente na conversa; ele ainda não tinha almoçado. É inevitável, quando dois padres se encontram, falar do nosso trabalho, das nossas preocupações, das nossas alegrias. Partilho algumas experiências que fui tendo ao longo dos quase muitos anos da minha vida de padre. Falo até das minhas primeiras duas paróquias. Digo que, muitas vezes, penso que "não há amor como o primeiro!". As pessoas eram pobres, não tinham dinheiro, mas eram solidárias, tinham espírito comunitário: davam do pouco que tinham. O meu colega trabalha não muito longe dessas duas paróquias. E diz que as pessoas não são lá muito 'praticantes'. Eu confirmo. E ele pergunta: "Mas como é que dizes que as pessoas até são boas, se elas não são 'praticantes'?". Pois... mas são solidárias! Ele calou-se alguns segundos e rematou: "Tens razão! As pessoas de lá são mesmo solidárias. Por isso, são boas!"
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25.04.08 @ 12:30:20. Archivado en solidaridad
Várias causas contribuíram para o seu internamento. Uma vida de amargura, de solidão. O seu corpo é o seu instrumento de trabalho e o seu ganha-pão. No intervalo de cada cliente, e com o dinheiro adquirido, lá se ia injectar; para esquecer? Não importa por agora. Dois filhos já lhe foram 'tirados'. A família desprezou-a por completo.
Agora, deitada numa cama, não tem consciência do local onde se encontra e muito menos do seu estado de saúde. Tem por perto os profissionais de saúde. Uma religiosa vem visitá-la. Conhece-a 'da rua'. Também vem uma colega da rua e um cliente. Estas são as suas amizades sinceras. Vêm mesmo sem ela ter consciência de que vêm. E choram. Amizade sincera. Esta é a sua família.
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Porquê?
É a pergunta que me vem à mente sempre que penso nas horas que passei no último dia de estágio no INEM.
Porque é que uma grandíssima parte das chamadas que recebemos são de pessoas que vivem em solidão?
De várias camadas etárias. Mas, para o final do dia e princípio da noite, as pessoas idosas não se cansavam de ligar a pedir ajuda. "Estou doente". "Sinto-me mal". "Acho que vou morrer". "Parece que o meu coração pára". "Acudam-me que me sinto aflito". "Mandem-me depressa uma ambulância". "Salvem-me antes que eu acabe com a minha vida".
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03.03.08 @ 11:57:51. Archivado en solidaridad
Vivia num morro, numa barraca de madeira, bem perto do rio. Tinha 4 filhos, todos menores. Já tinha andado "na rua", mas, agora, tinha estabilidade afectiva (o seu companheiro era um homem carinhoso para ela e para os miúdos; e era trabalhador).
Um cãozito (muito meigo) à porta da barraca.
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