Miguel
27.09.09 @ 19:47:17. Archivado en duelo, adiós
Foi no passado dia 13 que acompanhámos o Miguel naquele que foi o seu último dia de presença física entre nós. Tinha 34 anos. Há já alguns meses que estava doente. Uma neoplasia. As metástases atiraram o Miguel para os cuidados paliativos. Ao longo de todos os períodos de internamento, a presença da sua mãe foi uma constante. Muito aguenta uma mãe! E também dói cá dentro ver os olhos sofridos duma mãe. E doía muito ver os olhos suplicantes, magoados e sofredores do Miguel.
Hoje, a mãe, de lágrimas nos olhos, veio entregar-me a pequena pagela de recordação do Miguel. Uma foto do rosto marcado pela doença, mas com um sorriso encantador porque tinha ao colo o sobrinhito. Ao lado, o seguinte texto:
"Adeus, adeus, meus amigos.
Sorrio e digo-vos adeus.
Não, não derrameis lágrimas: não preciso delas.
Tudo o que quero é o vosso sorriso.
Se sentirem tristeza, pensem em mim.
Eis o que gostaria.
Quando vivemos no coração dos que amamos,
lembremo-nos de que nunca morremos" (Tagore)
Gostei de te conhecer, Miguel. E à tua família. Deixa então que eu recorde as vezes em que eu te chamava "gandulo" e tu replicavas "só eu?". Quando eu te dizia "porta-te bem" e imediatamente eras capaz de dizer "igualmente". E os cigarritos que íamos fumando à entrada da portaria e que foram oportunidade para algumas conversas. Gostei de te conhecer, pá. E... "porta-te bem, seu gandulo!". Claro que, agora, aí onde te encontras, me podes dizer com toda a propriedade: "Igualmente!". Um abraço.
José António
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