Parte em paz
29.06.10 @ 00:33:22. Archivado en amor, afectos, duelo, adiós
Eu era muito jovem, mais ou menos 27 anos. Já lá vão 30 anos."Tomei conta" das minhas primeiras duas paróquias. Gente simples e maravolhosa. A pouco e pouco os jovens foram começando a aparecer e a reunir-se. Na nossa simplicidade íamos fazendo alguma coisa. Nada de muito arrebatador. Mas feito com muito amor. Durante algum tempo tive alguém muito especial para mim, que me ajudou no trabalho. Já está na casa do Pai há bastantes anos. O Raul tinha um condão especial para estar com a malta mais "problemática". Desses tempos ficou uma amizade especial para com a malta nova. De amigos? De "pai para filhos"? Não sei. Só sei que ainda hoje dura. Há uns 4 anos, ia eu num centro comercial e ouvi alguém a chamar-me. Olho para trás e vejo que era um grupo duns 5 jovens que me chamava. Eu não os conhecia. Apresentaram-se. Malta dessas primeiras paróquias que tinham feito a catequese infantil comigo. "Já não nos conhece porque nós éramos miúdos e agora somos uns homens. Mas nós não nos esquecemos de si". Recordámos tempos antigos. Foi muito bom.
Hoje faleceu um dos jovens do grupo quase inicial das paróquias. Também marido duma jovem do mesmo grupo. Ao longo do seu internamento, porque não falava nem via, mas ouvia, só era capaz de me apertar a mão com toda a força que arranjava dentro dele. A cada nome que eu ia mencionando e lembrando, ele apertava ainda mais. Queria a minha mão junto da dele e as duas em cima do seu peito.
Porque é que me custou tanto este dia, meu Deus? Faz sofrer muito ver partir esta "malta". Não foi, de certeza, uma dor tão grande como a de um pai ver partir um filho. Mas que foi grande lá isso foi! E a dor de ver a João a sofrer pelo seu querido... ! Ainda dói!
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José António
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