... Ou talvez não (2)
07.05.08 @ 22:39:32. Archivado en ilusión
Depois de ter recebido a história do post anterior, fui chamado de urgência para dar a Unção dos Doentes a uma jovem de 20 anos.
Encontrei uma mãe despedaçada. A filha tem um gravíssimo problema cardíaco. Está em pré-coma. Aos 3 anos teve um linfoma; aos 7, teve leucemia. Há 10 anos que o problema cardíaco apareceu e se foi agravando. E agora, lá está ela deitada numa cama, cheia de máquinas que a mantêm viva (artificialmente?). Vivem sós as duas: o pai abandonou-as há muitos anos.
"Porquê, meu Deus? Porque é que me fizeste isto a mim? Eu não aguento mais. Se a minha filha morrer, eu também quero morrer. Já não tenho mais razões para viver. Deus esqueceu-se de nós. Abandonou-nos. Já nem Ele me (nos) pode valer!"
Quase já sem esperança, uma pequena intervenção cirúrgica possibilita o prolongamento da vida. Por uns dias? Por muitos? Ninguém é capaz de ter uma certeza. Uma pequena luz ao fundo do túnel aparece para aquela mãe. Agora aguarda-se que apareça um coração para transplante.
Mas a dor é tanta! A solidão, o abandono, a incerteza, a revolta...
Quem poderá valer a esta mãe e a esta filha?
Uma amiga, mãe duma colega de estudo, está sempre presente. Acompanha, acaricia, sofre em plena comunhão, reza. Dizia-me esta amiga: "Já sofri muito com uma doença da minha filha mais nova. Mas nada que se compare com o que estou a sofrer neste momento."
Quem poderá vir em socorro destas três mulheres?
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José António
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