07.05.08 @ 22:39:32. Archivado en ilusión
Depois de ter recebido a história do post anterior, fui chamado de urgência para dar a Unção dos Doentes a uma jovem de 20 anos.
Encontrei uma mãe despedaçada. A filha tem um gravíssimo problema cardíaco. Está em pré-coma. Aos 3 anos teve um linfoma; aos 7, teve leucemia. Há 10 anos que o problema cardíaco apareceu e se foi agravando. E agora, lá está ela deitada numa cama, cheia de máquinas que a mantêm viva (artificialmente?). Vivem sós as duas: o pai abandonou-as há muitos anos.
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06.05.08 @ 17:53:48. Archivado en ilusión
Enviaram-me esta "história" por internet. De certeza que já muita gante a conhece. Mas não resisto a colocá-la aqui:
"Ela deu um pulo assim que viu o cirurgião a sair da sala de operações. Perguntou-lhe:
'Como é que está o meu menino? Ele vai ficar bom? Quando é que eu o posso ver?'
O cirurgião disse:
'Tenho pena. Fizemos tudo, mas o seu filho não resistiu.'
Ela perguntou:
'Porque é que as crianças pequenas têm cancro? Será que Deus não se preocupa? Onde estavas Tu, Deus, quando o meu filho necessitava?'
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25.04.08 @ 12:30:20. Archivado en solidaridad
Várias causas contribuíram para o seu internamento. Uma vida de amargura, de solidão. O seu corpo é o seu instrumento de trabalho e o seu ganha-pão. No intervalo de cada cliente, e com o dinheiro adquirido, lá se ia injectar; para esquecer? Não importa por agora. Dois filhos já lhe foram 'tirados'. A família desprezou-a por completo.
Agora, deitada numa cama, não tem consciência do local onde se encontra e muito menos do seu estado de saúde. Tem por perto os profissionais de saúde. Uma religiosa vem visitá-la. Conhece-a 'da rua'. Também vem uma colega da rua e um cliente. Estas são as suas amizades sinceras. Vêm mesmo sem ela ter consciência de que vêm. E choram. Amizade sincera. Esta é a sua família.
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Porquê?
É a pergunta que me vem à mente sempre que penso nas horas que passei no último dia de estágio no INEM.
Porque é que uma grandíssima parte das chamadas que recebemos são de pessoas que vivem em solidão?
De várias camadas etárias. Mas, para o final do dia e princípio da noite, as pessoas idosas não se cansavam de ligar a pedir ajuda. "Estou doente". "Sinto-me mal". "Acho que vou morrer". "Parece que o meu coração pára". "Acudam-me que me sinto aflito". "Mandem-me depressa uma ambulância". "Salvem-me antes que eu acabe com a minha vida".
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20.04.08 @ 22:12:02. Archivado en amor
Era da Bulgária. Já há alguns anos que veio para esta zona trabalhar. Para ver se melhorava a sua situação de vida. Deixou por lá toda a família. Por cá, estava sozinha. Trabalhou muito. fez limpezas... Começou a sentir algo esquisito na sua garganta: de médico em médico, foi-lhe detectado um tumor. Além da doença, a sua situação económica era mesmo difícil. Pessoas de bom coração a acompanharam. Procuravam que não lhe faltasse nada em casa.
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17.04.08 @ 16:01:43. Archivado en dignidad
Os meus amigos sabiam que eu todas as semanas ia passar uma noite a locais onde havia prostituição feminina.
Tentava "estar com", ouvir os lamentos, as histórias de vida com muito para contar.
Pois esses meus amigos começaram a pedir-me para eu levar os seus filhos e filhas.
Tive alguma relutância.
Não por medo dos jovens, mas por pudor e respeito para com as prostitutas. É que custa expôr a vida a pessoas que não "estão" dentro da vida.
Mas acedi.
Um dia, fui com um pequeno grupo de jovens.
Dirigimo-nos ao local onde se encontravam as prostitutas.
Uma delas chamou-me; já nos conhecíamos.
Tinha 65 anos. Vivia numa casa com duas divisões: sala-cozinha e quarto.
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13.04.08 @ 23:43:13. Archivado en amor
Soube que tem um casal de filhos; mas, como não andam de bem um com o outro, não a visitam muitas vezes: não se querem encontrar!
E, enquanto isto, ela (de 80 e tais anos) vai definhando. As duas colegas de quarto sabem da sua carência de afecto e procuram dar-lho o mais que podem. Mas nem tudo podem fazer. As forças físicas delas são poucas ou nenhumas.
Ontem, à hora do almoço, entrei no seu quarto; as duas colegas já tinham almoçado, mas ela ainda continuava com quase tudo à frente.
"Então, não há apetite?"
"Não, não sou capaz de comer!"
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08.04.08 @ 01:47:19. Archivado en amor
Uma ambulância. Dois técnicos. Doze horas de serviço. A correr, que é preciso acudir com urgência, porque os casos também são urgentes. São seres humanos que estão em causa. É a vida que está em causa.
O pulsar duma cidade onde tanta gente passa despercebida. Onde tantos vivem sem ser notados. A solidão, o desespero, a fome, a droga...
Uma ressaca duma quase over-dose, um fim de semana sem comer seja o que for.
O marido que, ao acabar a semana, diz que se vai separar; os comprimidos, a desilusão, o mundo que desaba duma só vez sobre os ombros, a falta de apetite que leva a estar tanto tempo sem comer...
Um acidente de viação de alguém que está a iniciar a vida, e a esperança dum futuro melhor...
A solidão que se faz dor, dentro do carro num parque...
Os sorrisos de quem se sente agradecido, de quem teve alguém que cuidou.
Os segredos que se dizem no meio de tanta dor.
A alegria do dever cumprido. A felicidade transbordante de ter servido.
A entrega e a amizade dos técnicos.
Uma cidade onde choviam gotas de dor misturadas com alguns raios de sol.
A minha cidade. Que hoje me apareceu mais bonita.
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04.04.08 @ 09:50:56. Archivado en esperanza
Sabia da dificuldade que ele tinha em receber visitas, em conversar.
Depois da fase da negação, encontra-se, agora, na fase da revolta. Se permite algumas poucas visitas, é porque deseja sentir-se seguro; mas sem conversas.
Arrisquei. De manhã, passei só para dizer umas "larachas". Rimo-nos (tem um sorriso cativante). Eu disse que talvez voltasse de tarde.
"Mas de tarde tenho cá algumas visitas. Era bom que fosse noutra altura."
"Ok. Virei cá antes da hora das visitas. Assim, estaremos mais à vontade."
Tem 24 anos. Quantos sonhos tem um jovem desta idade!...
Conversámos sobre "objectivos" e "horizontes". Os "horizontes" como que os nossos ideais, aquilo para o qual caminhamos a longo prazo. Os "objectivos", como aquilo que eu posso realizar agora, no imediato. E os meus objectivos são diferentes dos dos outros. No hoje, no aqui e no agora, que objectivos é que eu posso realizar?
Vi que era tempo de ele descansar um pouco.
"Posso fazer-lhe um pedido? Sempre que passar por este piso, venha ver-me".
É claro que vou. Era isso que eu queria. Foi para isso que eu fui ao seu quarto.
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27.03.08 @ 23:34:42. Archivado en inseguridad
Eram 22:30. Tinha terminado o trabalho; arrumei o gabinete, conversei com o porteiro de serviço, conversei com o Enfermeiro Coordenador... E saí.
Cá fora, no exterior da portaria, encontrei várias pessoas (era hora de mudança de turno). Mas houve uma pessoa que me chamou a atenção.
Um homem dos seus 50 e tal anos. Vestia pijama e roupão. Portanto, estava internado. Tinha vindo passar um bocado de tempo à rua. Sentado num banco, cigarro nas mãos, notei-o bastante pensativo.
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23.03.08 @ 12:02:46. Archivado en amor
José tiene una grave enfermedad a nivel del cerebro que le provoca un inmenso sufrimiento psíquico y que hace con que los que lo rodean sufran también. Dentro de algunos dias José irá hacer un tratamiento que, así lo esperamos, le dará una más grande calidad de vida.
Hoy, cuando llegué al hospital, encontré José en mi despacho. Hablaba con la Asistente Espiritual. Él tenia una rosa en su mano. Como la imagén de la Virgen tenia muchas flores ofrecidas por las personas que visitán la Capilla, él ha pedido para cojer una rosa.
"Mi madre viene hoy a visitarme y yo quería darle una flor!"
Ha sido bueno ver la Asistente Espiritual a prepararle el 'bouquet': como no habia un papel bonito (ni donde comprarlo), nos servimos de un belo pañuelo; pero habia un bonito lazo y lo hemos colocado.
La alegría de José era enorme. Con la rosa en su mano, él se ha marchado feliz:
"Tengo ya una flor para ofrecer a mi querida madre! Es un ramo sencillo, pero la sencillez es amor! Está muy hermosoo! Mi madre va a quedarse muy feliz!!!!"
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13.03.08 @ 10:04:56. Archivado en esperanza
Hace muchos años que la conozco. Vivia en Lisboa, pero venia muchas veces a su rincón. Estando en su rincón, todos los Domingos iba a la Celebración Eucarística.
Siempre la conocí débil y con un aspecto enfermizo. Realmente, ella siempre ha sido enferma. Pero siempre la advertía con alegría. Ella era capaz de aceptar su condicion 'normal'.
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