Ronaldinho, un artista circense... sin goles
12.09.06 @ 16:13:57. Archivado en Fútbol

Es lo que le critican ciertos opinadores brasileños. En un país donde los líderes de opinión hablan, y mucho, de fútbol, cabe preguntarse si, como dicen, Ronaldinho es un gran jugador o un perfecto malabarista. Con esta maestría describe su juego el periodista de "Correio do Estado" Guilherme Fiúza:
O garoto de 18 anos que abriu o placar para a seleção brasileira contra o País de Gales, Marcelo, queria pedir um autógrafo a Ronaldinho Gaúcho, para dar a um amigo seu. Mas ficou encabulado. É normal. Diante da celebridade, do astro laureado, do homem-baile planetário, a timidez se impõe mesmo.
Talvez o garoto não se acabrunhasse tanto se percebesse que o homem-baile milionário é de fato impressionante, mas o que faz não tem mais nada a ver com futebol. Futebol é o que Marcelo fez no gramado londrino: gol.
O que Ronaldinho Gaúcho faz, de uns tempos para cá, e que todos viram na Copa da Alemanha, é algo que arrancaria uma chuva de aplausos de qualquer platéia circense. Cada malabarista de sinal de trânsito é hoje um Ronaldinho Gaúcho em potencial.
A crônica esportiva o ama. Esse pessoal que consagrou expressões como "dar espetáculo", "jogar com alegria" e outras exaltações estranhas – que nada têm a ver com o jogo de futebol – vibra quando o jogador do Barcelona olha para um lado e toca a bola para o outro. Cenas assim vão parar nas antologias da TV. Gênio.
Há nisso tudo um mimetismo equivocado de Nelson Rodrigues e de sua verve derramada sobre o encanto de Garrincha, a alegria do povo. Uma espécie de nostalgia dos tempos em que o anjo torto fazia a platéia gargalhar com seus dribles. Mas há uma diferença essencial: Garrincha deixava seus adversários para trás, e suas linhas tortas eram sempre o caminho certo, certeiro, na direção do gol.
Com toda a pantomima, Garrincha era um jogador objetivo.
Ronaldinho Gaúcho não é a alegria do povo. Ele conseguiu o impensável: burocratizar a alegria. Recebe a bola, capricha no jeito de corpo, no trejeito cênico, sacode as madeixas como um passarinho hiperativo. Carimba a jogada com algum toque de efeito, sublinha sua própria imagem com algum truque de erudição técnica e passa a bola para o lado, devidamente autografada pelo melhor do mundo.
É isso o que Ronaldinho faz hoje em dia em campo: autografar a bola. Com estilo.
É impressionante como esse rapaz conseguiu se distanciar das finalidades do futebol. Quem viu Pelé, Zico ou Maradona em campo tem todo direito de se sentir ultrajado com o tamanho da bajulação em torno do atual camisa dez da seleção brasileira. Nessa idade, 27 anos, os três gênios supracitados tinham índice de erro próximo de zero. Era o brilhantismo temperado pela maturidade.
Ronaldinho Gaúcho erra pencas de jogadas. Sua consciência é corrompida pela presunção do estilo. Seus lançamentos partem antes do pensamento, embalados de qualquer jeito pelo verniz da afetação. Não obstante sua formidável capacidade física e técnica, já é possível a esta altura afirmar: não é um jogador inteligente.
Se fosse, não teria degenerado nessa lamentável industrialização do salamaleque. Chega de Ronaldinho Gaúcho. Chega desse rococó fajuto que trai o futebol como metáfora da vida, distanciando-o dos seus objetivos de superação e conquista.
A saída de Ronaldinho de campo contra o País de Gales deixou a seleção brasileira algumas toneladas mais leve. Sem o peso da máscara, a alegria genuína imediatamente voltou. Fora, Ronaldinho Gaúcho. O engolidor de espadas e o palhaço clamam por sua presença.
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Elena de Regoyos



