El alma del haiku

A alma do haicai (10)

11.08.11 | 19:39. Archivado en A) ¿Quieres que comente tu haiku?

売牛の村をはなるる霞かな
Uri-ushi no mura o hanaruru kasumi kana

Vendida, a vaca
se afasta da vila
por entre a névoa

Autor: Hyaku
Kigo: Kasumi [névoa]
Estrofe mais provável: 5-7-5
Cronologia: haicai clássico
Classificação: descritivo

Só se entra no haicai pela porta da simplicidade. Um haicai complicado não é um haicai habitável. Nesse haicai de Hyakuchi, não há camélia caída nem cerejeira em flor; há uma vaca. Uma vaca que acaba de ser vendida. Apenas através da textualidade, não sabemos se a vaca era de Hyakuchi ou se o poeta simplesmente contemplava a cena. Mas dá na mesma. Em ambos os casos, a mesma naturalidade que cativou ao haijin, agora nos seduz. Consideremos por um momento a primeira suposição (o poeta e o vendedor são os mesmos): nessa situação, que tipo de pessoa sente – depois de ter vendido uma vaca – que está em um “momento haicai”, em vez de pensar em outra série de considerações (o acerto ou desacerto da venda recém acordada, por exemplo)? E, no segundo caso (o poeta e o vendedor não são a mesma pessoa), quem – que não tenha coração de haijin – observa uma vaca se afastando na névoa e vê nisso algo que deve ser registrado poeticamente?
Em relação à sua classificação, em nenhum momento queremos dar a entender que possa ser outra coisa que não um haicai descritivo... e assim, evidentemente, o verbo hanareru (separar-se) tem um quê intimista, de triste despedida, seja o dono e/ou o poeta quem se despede da vaca, ou a própria vaca enquanto se distancia, com essa maneira de se despedir própria das vacas, dissimulando suas emoções ao estilo confuciano. Atribuir-lhe a classificação de haicai do sagrado, por tratar de algo que se vê progressivamente dissolvido na invisibilidade criada pela névoa, seria querer ver além da conta. E ainda sendo clara – como afirmamos – sua condição de haicai descritivo, é inegável que vai levando o leitor de uma estância possível do haicai à outra: descritivo, intimista, sagrado, definitivamente, descritivo. Haicai, portanto, fiel ao “espírito de shasei”, de observação e “esboço do natural” que geralmente tem o haicai, como já foi dito no prólogo deste livro. O haicai é fotografia instantânea, percepção fiel do instante vivido pelo poeta. Para nós, é difícil considerá-lo poesia, levando em conta seu interesse por se desmascarar de figuras literárias, expressões elaboradas ou termos cultos. Mas também dizer que é a mera descrição de uma fotografia seria insuficiente. Por exemplo, se essa cena fosse uma foto ou uma pintura (ou aquarela), o artista nos mostraria apenas os quartos traseiros de uma vaca que se perde no meio da névoa, mas não poderíamos “ver” seu movimento parcimonioso, não seria tão fácil compreendermos que acabava de ser vendida por um e comprada por outro, e se desvaneceria, como as coisas que se perdem na névoa, todo um mundo de relações – inauguradas ou quebradas – entre a vaca e quem a compra, a vaca e quem a vende, a vaca e a aldeia onde viveu, a vaca e o caminho que se dispõe a recorrer, a vaca e a névoa..
As vacas e a névoa, essa é uma curiosa relação da qual o mundo do haicai não pôde se isentar. Acabamos de ver uma vaca que Hyakuchi vê entrar na névoa; vejamos agora outra que Issa vê sair da névoa:

10. bis
牛もうもうもうと霧から出たりけり
Ushi mô mô mô kiri kara detarikeri

A vaca
“Muu, muu, muu”
surgiu da névoa


¿Quieres que corrija tus haikus?

03.06.11 | 09:10. Archivado en A) ¿Quieres que comente tu haiku?

En todos estos años dedicados al haiku he comprobado que existe una gran confusión y falta de criterio en los que comienzan a escribir haikus. E incluso en los que llevan más tiempo, debido a que su sentido del gusto no fue educado en su día. Si los maestros no saben sus alumnos no llegan a ninguna parte. Muchos de vosotros me mandais vuestros haikus para que os dé una opinión y tardo meses en deciros algo o no llego a contestaros nunca porque tengo que posponerlo una y otra vez poniendo por delante los plazos de encargos profesionales que recibo, pues vivo de la traducción y las conferencias. Otros teneis reparo a enviarme vuestros haikus por no abusar de mi confianza. He decidido hacer un experimento profesional nuevo. Poner un precio módico para daros una opinión técnica respeto a los errores que cometeis en vuestros haikus. He pensado que 40 euros por cada 100 haikus puede ser más que razonable, pues este trabajo me llevará entre cuatro y cinco horas, una de ellas de skype. Los que piensen presentarse a un concurso y duden de qué haikus son los mejores, o los que querais publicar una antología propia y querais aseguraros de que no habrá ningún error grande, o simplemente los que querais iros formando con un juicio como el mío -que puede ser más o menos aceptable- pero es firme y está formado por los japoneses, teneis que enviarme primero vuestros haikus a vicente_haya@yahoo.es. Una vez que los lea y os diga que me parece bien trabajar sobre ellos, me haceis un ingreso a mi cuenta corriente de Cajasol c/c 2106-0564-10-1002012980 (como concepto poned : "haiku"), a nombre de Vicente Haya Segovia y abrios una cuenta en skype, enviando contacto a: vicente. haya.segovia (poned de mensaje de bienvenida: "corrección de haikus") para poder comentar en la hora que os asigne, y durante una hora, lo que sea menester en relación a los haiku enviados. Tanto mi juicio como el hecho de que hayais acudido a mí permanecerán en el más completo anonimato.
Un fuerte abrazo


Martes, 22 de agosto

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